
O grande problema dos homens
É querer sempre a eternidade,
Porém essa busca vã se transforma
Na obsessão pelo tempo, pelo imortal.
Eternizar, pelo contrário, não é suspender o tempo
E sequer pensar nele?
Uma criança se faz eterna em cada sorriso.
"Um grito delicado"


O que leva a alma à imortalidade,
Se de tudo, é ela o que há de mais mortal?
Este sonho de um viver eterno que atraí e destrói a beleza,
E que faz nascer do sonho a obsessão.
Se nasci da ordem pra viver o caos,
Do caos farei bálsamo para o meu viver.
Não repousarei minha alma no perfeito ou no eterno.
Quero vê-la perecer com meu corpo, viver a meu lado.
Eu a quero em mim, não no imortal.
Viver comigo mesmo até o fim, e terminar juntos.
Nascemos para o fim.
Seremos enterrados na vala comum dos mortais,
Para talvez sermos os deuses do porvir.


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (F. Pessoa)





De 1951, na minha opnião um dos mais belos trabalhos de Salvador Dalí. Lembro-me de ter feito um trabalho de história da arte sobre esse quadro que, por sinal, ficou horrível. Penso que esta seja uma das mais belas representações de Cristo já feitas. Ele conseguiu construir um Cristo humano e grandioso, grandioso por ser humano. Uma humanidade tão plena que é capaz de se elevar num gesto ao mesmo tempo espetacular e simples. Abaixo pescadores vivem, apenas existem, mas sua existência é tão real quanto a do Cristo que os olha complacente. É, com certeza, uma grande obra.

Ontem à noite, assistindo a um desses programas que debatem questões sobre condições de vida em grandes cidades, se não me engano o tema era: “A crise do trânsito
Ao que me parece, a guerra contemporânea contra o cigarro é mais uma questão comercial que de saúde pública. Pergunto-me se um automóvel ou um equipamento industrial não deveria vir com um aviso: “Este produto provoca câncer, etc, etc...”, e com a foto de algum moribundo, ou de algum feto num vidro. Mas isso não acontece, e, a meu ver, não acontecerá. Pelo contrário, o que se vê atualmente é uma total apologia ao uso de automóveis e a uma maior concentração de agentes poluidores em nossas cidades. Hoje em dia se emplacam mais carros do que nascem pessoas. Cada vez mais aumentarão os índices de poluição atmosférica e, a não ser que você tenha um carro com um ar-condicionado de qualidade, trabalhe em um lugar que tenha um e tenha um também em casa, estará, queira você ou não, sujando os pulmões tanto quanto o fumante contra o qual, atualmente, se luta.
O discurso, político, de consciência ambiental que a grande maioria de nossos governantes tem feito é falso e vazio, ficando apenas no terreno do debate. Não é preciso ser um especialista pra perceber que o modelo de desenvolvimento que o Brasil vem adotando não é compatível com a sustentabilidade sócio-ambiental, ainda que nos digam o contrário o tempo todo. A maioria da população mundial não tem condições de ter um carro e não obtêm lucros com as atividades industriais poluidoras. E é exatamente essa maioria que mais fica exposta ao ar envenenado de nossos tempos. Vale a pena condenar tanto o cigarro? Será que a fumaça que sai dos carros, caminhões e chaminés industriais faz bem à saúde? O problema que é que o ar não é uma questão de escolha e não pode ser proibido para menores de 18 anos.
Bem, Grieg é um dos compositores que eu mais gosto. Norueguês nascido em 1843, Edvard Grieg foi um dos grandes compositores do século XIX e, na minha opnião, é muito pouco valorizado. Portanto, estou postando aqui uma música dele, talvez a mais conhecida: "A Manhã" da suíte "Peer Gynt", feita para a peça homônima de Henrik Ibsen.