quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Eterno (poema para um filho)


O grande problema dos homens
É querer sempre a eternidade,
Porém essa busca vã se transforma
Na obsessão pelo tempo, pelo imortal.
Eternizar, pelo contrário, não é suspender o tempo
E sequer pensar nele?
Uma criança se faz eterna em cada sorriso.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A 5ª Sinfonia, segundo movimento.


Já postei o primeiro e agora posto o segundo movimento da 5ª sinfonia de Gustav Mahler. É só baixar e deliciar-se.
Clique aqui para baixar

O Imortal


"Tu tens um medo:
Acabar"
Cecília Meireles


O que leva a alma à imortalidade,

Se de tudo, é ela o que há de mais mortal?

Este sonho de um viver eterno que atraí e destrói a beleza,

E que faz nascer do sonho a obsessão.

Se nasci da ordem pra viver o caos,

Do caos farei bálsamo para o meu viver.

Não repousarei minha alma no perfeito ou no eterno.

Quero vê-la perecer com meu corpo, viver a meu lado.

Eu a quero em mim, não no imortal.

Viver comigo mesmo até o fim, e terminar juntos.

Nascemos para o fim.

Seremos enterrados na vala comum dos mortais,

Para talvez sermos os deuses do porvir.


sábado, 26 de julho de 2008

Nietzsche (Um Poema)


E se tem que ser a desgraça,

Pois que seja!

Se tiveres de amar o diabo,

Ama-o!

Se a loucura é incapaz de salvar,

Abraça-a!

E se um dia descobrires que tudo foi vão,

Peças tudo outra vez!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Não há razão para se ter razão!


Não, não há razão para se ter razão.
A verdade não existe.
Há verdade no nada.
O tempo: leve inconveniente.
A vida: acidente.
O homem: solidão.
Não sobrevivemos à própria razão.

terça-feira, 22 de julho de 2008

À MARX



CONCLUIR UM RACIOCINIO,
IMPONDO CONDIÇÕES,
LIMITA A HIPÓTESE,
EM IMENSAS PROPORÇÕES!

SILOGISMOS À PARTE,
DEDUÇÃO OU INDUÇÃO...
O QUE IMPORTA AGORA,
É ANALISAR A ARGUMENTAÇÃO!

“A SOCIEDADE É CONSTITUIDA DE CLASSES COM INTERESSES ANTAGÔNICOS, IMPOSSIBILITANDO ASSIM, O OBJETIVO DO ESTADO_ O BEM COMUM!”

É O QUE DIZES...

DE FATO,
A SOCIEDADE É CONSTITUIDA DE CLASSES!
DE FATO,
HÁ INTERESSES ANTAGÔNICOS PERTINENTES!

MAS IMPOSSIBILITAR A EXISTÊNCIA DO BEM COMUM POR ESSA CONDIÇÃO,
É PEGAR UMA CONJECTURA E TOMÁ-LA COMO FATO...
SEM AO MENOS CONSIDERAR O UNIVERSO QUE HÁ DA MESMA!

POR EXEMPLO;
A RELAÇÃO PATRÃO E EMPREGADO,
CLASSES OPOSTAS! INTERESSES ANTAGÔNICOS!
NO ENTANTO, SUPRIMENTO DAS NECESSIDADES ENTRE AS PARTES!
DE TAL FORMA,
QUE HÁ A MANUTENÇÃO DESSA RELAÇÃO!

DE CERTA FORMA...
UM BEM COMUM!
ESTABELECIDO E MANTIDO,
POR UMA RELAÇÃO COOPERATIVA!

LOGO,
NO UNIVERSO DAS POSSIBILIDADES HIPOTÉTICAS...
HÁ A EXISTÊNCIA DE ALTERNATIVAS VIAVÉIS AO BEM COMUM!

POR ISSO,
CONDICIONAR-SE A UMA PREVISÃO DOS FATOS,
BASEANDO-SE NUMA HIPÓTESE OU,
EM CONHECIMENTOS PASSIVEIS DE REFUTAÇÃO E VALIDAÇÃO...

É O MESMO QUE IGNORAR A PROBABILIDADE,
E O PORQUÊ DAS DETERMINAÇÕES!

ASSIM SENDO...
EXPLICITO O MEU ESTILO!




domingo, 20 de julho de 2008

Concerto de Brandenburgo Nº1, Primeiro Movimento


É sempre bom um pouco de Bach.
Para Baixar a música clique aqui

As flores do campo.


As flores não gostam mais de mim.

Quem me dera que a vida fosse assim.

Se elas voltassem para o meu jardim.

Meu campo cheiraria a perfume de jasmim.

Ah, as flores!

Quem me dera!

Se elas voltassem para mim

Como a brisa da tarde,

Campos de verdes ares

Campos de jasmim.

Há se voltassem para o meu jardim

Flores do campo

Flores do meu jardim.






Por. Marcelo Bastos

Difícil acompanhar o tempo

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (F. Pessoa)



À ventura -ou não- de estar perto a mudança
Vai o tempo. Acelerado, nervoso, desesperado
Estremeço. Pulsa forte o presente órgão
Onde passeia esse líquido rubro
E circula com pressa - feito o tempo

O tempo voa. Difícil acompanhar
Não tenho asas para lançar vôo
Então é apenas correr. Difícil
Não sei a direção do tempo
E o vento em nada me ajuda
Prefere fazer dançar as árvores
Que assim, descartam suas folhas antigas
Será isso mais um indício de que devo correr?
Mas me contento ao ver suas folhas voarem
Não deviam descer ao chão. Deviam subir ao céu
E lá ficar. Como a lua.

Encara a lua! Vê seu lugar celeste?
Há dez minutos ela se encontrava ali! E não ali!
Até a lua muda. E prossegue. E me encanta
Se eu tivesse essa visão por mais tempo...
Mas a lua é fascinada por suas inconstâncias
E de nada a importa o tempo que é meu
Então veja só como as nuvens a cobrem!
E indicam que o tempo faz tudo mudar
E indicam que o tempo será de chuva
E ainda eu aqui. De cabeça erguida
Que espero? Uma atitude chula para a ação?
Ou a primeira gota de chuva?

sábado, 19 de julho de 2008

NÃO-SARTRE


organolépticas são as sensações inúteis do pensar!!o que importa a metafísica diante da relatividade?física quântica? biofísica? ou a fisica adicionado ao silogismo aristotélico?...nada!!! ou talvez...um conjunto vazio com ares de inexistência!!apenas não me venham com filosofias abstratas existêncialistas!pois, numa mera argumentação lógica...há de se desvelar inválida!! ou...além da dedução,falsa!fale-me de darwin!!mas com uma superioridade materialista mais concreta...como a de einstein!!não me venham com conjecturas pré concebidas de validade,pois nenhum conceito há de valer apena!se não.. não seria conceito!!me venham com todas as hipóteses além das validadas,pois, esta é temporal,condicionada pela competência ou incompetência do "hipotetizador"!!venham-me com verdades independentes de referenciais,atemporal,incondicional...inexistente!!

Meu amor!


Queria poder te ver poder segurar suas mãos, te abraçar.
Mostra o que sinto.
Sei que surgiu em uma maneira inusitada um pouco atrapalhada talvez.
Mais o amor não escolhe como e nem por onde vem.
Você surgiu de repente na minha frente bem na hora que eu procurava alguém para me apoiar, alguém que não deixasse eu cair.
Na hora você foi o meu anjo iluminado, você foi alguém que meu olhar fico cristalizado.
Já mais quero te magoar já mais vou te fazer chora. se um dia você chora que seja de alegria.
Quero te fazer feliz, realizada.
Quero ser feliz ao teu lado. mais isso com certeza serei.
Quero ser aquele bobo que te olha dormir e ao amanhecer te dar um beijo de bom dia.
Quando você apareceu parecia um sonho o meu coração disparava a cada palavra que saia da tua boca.
Hoje não tenho palavras para expressar o que sinto por você.
Não vou dizer que é amor, não.
Não vou dizer,se você não quiser, eu não digo.
Também não vou dizer que esse amor é um amor puro e verdadeiro, um amor que não tem cura e o único modo deu continuar vivendo é ficando ao seu lado.
Há momentos na vida que percebemos como o mundo é pequeno e que temos nas mãos um mundo que não tem tamanho o mundo que só eu e você somos os habitantes.
Amor.
Palavra tão curta e de sentimento tão profundo que nos faz se render. Nesse momento estou pensando.
Será que um dia vou poder te dar esse amor que sinto?
Eu não vou medir esforços para que um dia esse amor seja seu somente seu.
Meu amor.

Por que Arte?


Um amigo pergunta:
-Por que arte? Dá dinheiro?
Respondo:
-Por que viver? Dá dinheiro?
-Por que dinheiro? Dá eternidade?
-Fico com a arte.

Por que Arte?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Artefatos Artístico-Antropológicos


(dedicado à loucura lúcida de Antonin Artaud)

FARÁ FRIO HOJE.
ESTAREI ESPERANDO.
ESTAREI ESCREVENDO.
ESTAREI SURDO PARA O MUNDO.
ESTAREI CEGO PARA A VIDA.
ESTAREI VIVO PARA A MORTE.
ESTAREI ESTRAGADO E BELO.
ESTAREI SUCO E REFRIGERANTE.
ESTAREI BADOU.
ESTAREI MORIBUNDO.
ESTAREI O CONTRÁRIO DE TUDO.
ESTAREI AS COISAS.
ESTAREI FRIO.
ESTAREI DEUS E O DIABO.
ESTAREI NO CÁUCASO.
ESTAREI NO CÉU.
ESTAREI NUM FILME.
ESTAREI VOLTAIRE.
ESTAREI ARTAUD.

.....


Brasil? O que é Brasil? Latino-americano sempre, país rico. Pergunto-me se não sonho. O Brasil está crescendo a "x" por cento, o índice de desemprego caiu "y" por cento, as crianças estão nas escolas, a inflação está controlada. Eles falam do meu Brasil? Não, deve ser o outro, o Brazil. Este sim deve andar de vento em poupa: grande exportador ( de matéria prima barata), país do futuro (um futuro de dependência). No Brasil em que eu vivo, sim, esse mesmo, o com "s", o desemprego não está diminuindo, não vejo nenhum sinal de crescimento e a inflação não sei, dizem que está controlada, acredito (quem sou eu pra discutir? Não sou economista, e, para eles, economia é ciência exata), porém não me podem convencer de que a cada vez que vou ao super-mercado ou à padaria, gasto o mesmo, ou menos dinheiro, a cada semestre a passagem de ônibus permanece a mesma ou diminui, e a cada ano a esperança aumenta, mais e mais.
Sim, esse Brasil, para mim, não é a democracia que sempre me dizem que é. Eu, pelo menos, não me sinto representado, e duvido que a grande massa de "zés-ninguéns" como eu se sinta. Democracia representativa? Concordo, ela representa muito bem as minorias abastadas que a tem nas mãos, representa os grandes latifundiários, os interesses do capital estrangeiro e o imperialismo (ops, essa palavra não existe mais, afinal caiu o muro de Berlim. É melhor dizer a "benevolência") do norte. Esta nossa democracia representativa, representa os nossos grandes benfeitores banqueiros que nos brindam a cada dia com o crescimento exponencial de seus lucros.
No último dos milhões de escândalos de fraude nos cofres públicos, vi uma notícia no jornal sobre o banqueiro simpático chamado alguma coisa Dantas que foi preso (que injustiça) por que participou de lavagem de dinheiro, fraude , enriquecimento ilícito, etc, etc, etc, etc, ela era "acusado", nada mais que "acusado" ( e provavelmente a história o ira inocentar) de ter feito tudo isso. Mas não, não fez. Estranho ver na tv, que a esposa do dito cidadão, que não possuia renda declarada, tinha investimentos de dezenas de milhões.... Dinheiro honesto, é claro. Por que eles fazem sempre questão de me dizer que o Brazil é um país onde as elites são honestas e incorruptíveis, e o povo não presta e é criminoso. Esse é o Brazil deles. O meu, um outro.

Venha à Poesia


Onde estou

Agora cá estou

Só eu estou

E ninguém tasca

O passo que dou

Não repito exato

E se re-encaixo

O relógio afasta


Lugar e hora não mais cabíveis o fugás agora

Já é só memória

A sensação (seria sensação?)

Tecido deste molde que ofereço às visitas

Desafiando tempo, espaço, tecnolgia

Venha à Poesia...


Guido Manoel

Adios Nonino (Piazzola em sua obra-prima)


Resolvo postar aqui uma música do Piazzolla, uma das mais lindas, Adios Nonino. Piazzolla talvez tenha sido um dos melhores músicos que o século XX produziu. Inovador e clássico, música argentina e universal.
Clique aqui para baixar.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Onde é o mundo?


Onde é o mundo? Coisa triste.
Onde estão as vacas? Humanidades.
Por que brilha o sol? Suor e sangue.
Por que vou à luta? Amor e morte.
Por que sou feliz? Sussurros intensos.
Vão todos embora? Paz, paz.
E por que não grito? Incapaz.
E por que não sou outro? Não sou?
Onde vou parar? Onde chegar.
Onde vamos parar? No fim.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A 5ª Sinfonia....


.... De Mahler, trilha sonora do filme "Morte em Veneza", de Luchino Visconti, baseado no livro homônimo de Thomas Mann. Gustav Mahler (1860-1911), um dos compositores que mais gosto, suas sinfônias conseguem um combinação perfeita entre um estética leve e harmônica e um descolamento do real, uma certa elevação do espírito. Por isso, deixo aqui o primeiro movimento da 5ª Sinfonia de Gustav Mahler para todos baixarem e se deliciarem.
Clique aqui para baixar.

Paul Cézanne




segunda-feira, 14 de julho de 2008

O Cristo de São João da Cruz - Salvador Dalí

De 1951, na minha opnião um dos mais belos trabalhos de Salvador Dalí. Lembro-me de ter feito um trabalho de história da arte sobre esse quadro que, por sinal, ficou horrível. Penso que esta seja uma das mais belas representações de Cristo já feitas. Ele conseguiu construir um Cristo humano e grandioso, grandioso por ser humano. Uma humanidade tão plena que é capaz de se elevar num gesto ao mesmo tempo espetacular e simples. Abaixo pescadores vivem, apenas existem, mas sua existência é tão real quanto a do Cristo que os olha complacente. É, com certeza, uma grande obra.

Um Cigarro ou um Carro?



Ontem à noite, assistindo a um desses programas que debatem questões sobre condições de vida em grandes cidades, se não me engano o tema era: “A crise do trânsito em São Paulo”, ou qualquer variação em torno disso. Pois bem, havia entre os debatedores um professor de medicina da USP que disse, à certa altura, que a poluição que respiramos diariamente em uma grande metrópole brasileira é equivalente a fumar alguns cigarros por dia. Até aí tudo bem, isso é até intuitivo, visto que quem mora em uma grande cidade sabe o que é não conseguir respirar direito. Mas o interessante nisso é notar como essa atual “cruzada” contra o cigarro é, de certo modo, questionável. Será que um “não-fumante” que mora próximo a um grande centro urbano e industrial tem um pulmão mais saudável que um fumante que mora em uma cidadezinha do interior? Tenho, francamente, minhas dúvidas.

Ao que me parece, a guerra contemporânea contra o cigarro é mais uma questão comercial que de saúde pública. Pergunto-me se um automóvel ou um equipamento industrial não deveria vir com um aviso: “Este produto provoca câncer, etc, etc...”, e com a foto de algum moribundo, ou de algum feto num vidro. Mas isso não acontece, e, a meu ver, não acontecerá. Pelo contrário, o que se vê atualmente é uma total apologia ao uso de automóveis e a uma maior concentração de agentes poluidores em nossas cidades. Hoje em dia se emplacam mais carros do que nascem pessoas. Cada vez mais aumentarão os índices de poluição atmosférica e, a não ser que você tenha um carro com um ar-condicionado de qualidade, trabalhe em um lugar que tenha um e tenha um também em casa, estará, queira você ou não, sujando os pulmões tanto quanto o fumante contra o qual, atualmente, se luta.

O discurso, político, de consciência ambiental que a grande maioria de nossos governantes tem feito é falso e vazio, ficando apenas no terreno do debate. Não é preciso ser um especialista pra perceber que o modelo de desenvolvimento que o Brasil vem adotando não é compatível com a sustentabilidade sócio-ambiental, ainda que nos digam o contrário o tempo todo. A maioria da população mundial não tem condições de ter um carro e não obtêm lucros com as atividades industriais poluidoras. E é exatamente essa maioria que mais fica exposta ao ar envenenado de nossos tempos. Vale a pena condenar tanto o cigarro? Será que a fumaça que sai dos carros, caminhões e chaminés industriais faz bem à saúde? O problema que é que o ar não é uma questão de escolha e não pode ser proibido para menores de 18 anos.

Grieg

Bem, Grieg é um dos compositores que eu mais gosto. Norueguês nascido em 1843, Edvard Grieg foi um dos grandes compositores do século XIX e, na minha opnião, é muito pouco valorizado. Portanto, estou postando aqui uma música dele, talvez a mais conhecida: "A Manhã" da suíte "Peer Gynt", feita para a peça homônima de Henrik Ibsen.
Clique aqui para baixar a música pelo Rapidshare

Mais informações sobre Grieg em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edvard_Grieg

Blog: Será isso um objeto do desejo?


Blog. Blog. Eu sequer sei o que é um blog. E, no entanto, eis-me aqui com um blog. Palavra chata. Ah, acabei de descobrir que é uma contração de web log. Continua chato. Tenho que achar algo melhor... não quero ficar dizendo blog ou web log, ou qualquer outra dessas palavras que parecem onomatopéias escatológicas. Ah.... melhorou, acabei de ficar sabendo pelo MSN (mensageiro) que pode ser Diário da rede, ou algo parecido. Então este é meu, digamos, diário virtual. Está abolida a palavra Blog.
Este Blog já nasceu póstumo.

Tristes Máquinas

 

















(Le paysan (Peasant) de Paul Cézanne)

Tristes máquinas somos nós; mortos infames.
Em nós, toda ternura dissipa, todo amor apodrece.
Será preciso invocar nosso deus moribundo e triste,
Para que (sobre nossa cova) jogue uma pá de cal?
Derradeiros sonhos de um querer desatento,
Vivemos, sofremos; palhaços incautos que somos,
Que seremos... Que seremos?
Senão a voz de um futuro intragável,
De uma nefasta orgia, impura e cristã.
Abomináveis homens, sacerdotes da explicação.
Não há nada a explicar! É preciso viver,
Ou encarar a nulidade do ser, do ter, de tudo.
Máquinas mortas, sem energia, sem fé...
Fé em deus, em não-deus, em talvez-deus,
Em nunca-deus, em adeus, em alguém,
Em ninguém...
Máquinas-vermes incapazes de amar, de pensar...
Parasitas da arte e da poesia, parasitas da divindade.
Pro inferno com nossa dependência!
Ou pro inferno conosco!
Pra onde quiserem, somos máquinas.
Somos máquinas no mais intimo de nosso ser,
No mais intimo do não-ser, somos máquinas.
Eu percebo que o somos, bem no meio de nossa merda,
De nossa impotência prepotente e dependente.
Ó tortura vã, por que nos destrói?
Mate-nos já, e salve nossa humilhada alma em desgraça.
Mate-nos já, e reine sobre os porcos por toda a eternidade.

Autor: Luciano Machado Tomaz